Sesc São Paulo deixa de vender água engarrafada a partir de março
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O Sesc São Paulo (Serviço Social do Comércio), organização privada mantida por empresários do comércio, serviços e turismo, anuncia medida de dimensões socioambiental, educativa, de cidadania e de saúde. Reforçando seu compromisso de gestão responsável com o meio ambiente e as pessoas, as unidades do Sesc no estado de São Paulo deixam de vender água engarrafada sem gás a partir de 1º de março e ampliam a oferta de água filtrada e gratuita nas comedorias e estruturas de apoio às atividades desenvolvidas pela programação. Entre os principais objetivos da iniciativa, que leva o nome de “Água de Beber”, está a redução da utilização de materiais de uso único, além de conscientizar acerca do acesso gratuito à água como um direito universal.

A iniciativa integra o programa Lixo: Menos é Mais. A expectativa é de que dois milhões de garrafas plásticas deixem de ser comercializadas nas unidades por ano.

“A ação se destaca por seu potencial educador e por mobilizar pessoas em torno do debate da cultura da sustentabilidade. Na medida em que a relação de interdependência sociedade-natureza se coloca como um imperativo para a atuação do Sesc nos territórios em que está presente, é possível vislumbrar projetos e ações cujos arranjos estão ancorados na conservação da biodiversidade, congregando práticas de proteção do ambiente e das pessoas de forma indissociável. ”, explica Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo.

Com a oferta de água filtrada gratuita em suas unidades, o Sesc São Paulo se antecipa aos crescentes debates, em âmbito mundial, que estimulam o acesso à água potável como direito universal. A medida também vem ao encontro de recomendações de organismos internacionais, como a ONU, que apontam para a necessidade de redução da produção de lixo sólido.

No município, na primeira quinzena de janeiro deste ano, a prefeitura de São Paulo sancionou lei Nº 17.261, que proíbe o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas e varas para balões descartáveis feitos de material plástico aos clientes de estabelecimentos comerciais da cidade, que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2021.

Desde 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por meio da Resolução 64/292, de 28 de julho de 2010, reconheceu o direito ao acesso à água potável e ao saneamento como direito humano essencial ao pleno desfrute da vida. Atualmente, no Brasil, o Senado discute a aprovação da PEC que inclui, na Constituição Federal, o acesso à água potável entre os direitos e garantias fundamentais. A promulgação da emenda depende ainda de aprovação.

Paralelo a isso, a atual situação do lixo no mar tem sido noticiada, com mais ênfase, nos últimos três anos. Em 2017, a ONU promoveu, na sua sede em Nova Iorque, a Conferência Sobre Oceanos, para apoiar a implementação do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 14, que tem como meta conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, os mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Nos oceanos, de acordo com a ONU, 90% dos lixos são compostos por plástico. A estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes.

No Brasil, um novo Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê alterar o futuro dos lixões a céu aberto e abre caminho para aumento da participação da iniciativa privada no setor foi aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de 2019. Recém-publicado decreto presidencial adiou para 2022 (antes era dezembro de 2019) o prazo final para que os municípios brasileiros elaborem seus planos de saneamento básico.

ACESSO À ÁGUA DE QUALIDADE
Nas unidades, informações sobre a oferta de água gratuita e a disponibilização de copos retornáveis (policarbonato – 200 ml) informam os frequentadores sobre a novidade. Há sinalização indicando os pontos de fornecimento, telas de fruição, anúncios e campanhas educativas que refletem sobre a qualidade da água, o acesso, consumo e destinação responsável de resíduos.

O Sesc segue parâmetros uniformizados e tem procedimentos determinados no seu Guia de Infraestrutura, com capítulo específico para a manutenção de bebedouros. A implementação do projeto atenderá às especificidades técnicas referentes à coleta e distribuição de água em cada unidade. A higienização dos bebedouros é obrigatória, por lei, realizada semestralmente, e feita por empresa especializada.

A unidade de Campinas, no interior de São Paulo, foi a primeira a implementar o projeto de transição, em junho do ano passado. A experiência constituiu um piloto para a expansão dessa ação, com adesão gradativa das demais unidades. O Sesc Guarulhos, inaugurado no primeiro semestre de 2019, já surgiu com a prática de não venda de água sem gás em garrafa plástica. Os frequentadores sempre tiveram água livre à disposição por meio de purificadores presentes em diversos espaços da unidade.

Outro precedente importante foi o encerramento do uso de canudos plásticos em todas as unidades no segundo semestre de 2018.

PROGRAMAÇÃO RELACIONADA AO PROJETO
Bate-papo

OCEANO DE PLÁSTICO
Em 32 anos os oceanos vão abrigar mais plástico do que peixes e 100% dos animais marinhos terão se alimentado ou sofrido com as consequências do lixo no mar. Os impactos da nossa poluição nos oceanos e a urgente necessidade de uma conscientização ambiental a respeito da vida nos traz um novo olhar sobre nossos escolhas e ações. Neste bate-papo vamos entender o tamanho do problema e como podemos reverter essa situação! Com Agente de Educação Ambiental do Sesc São Paulo.

4 a 25/3. Quartas, 10h30.
Sesc Bertioga
 

Vivência

NOSSO LIXO DE CADA DIA
Bate papo com Cooperativa de Catadores/as de Materiais Recicláveis Vida Nova, de Campo Limpo Paulista.
6/3. Sexta, 19h.
Sesc Jundiaí
Bate-papo

COMO GARANTIR O ACESSO À ÁGUA COMO DIREITO FUNDAMENTAL?
Com base no pressuposto de que o acesso à água é um direito de todos e todas, participam da mesa de debate Edson Aparecido da Silva, secretário-executivo do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), e Edvaldo Gonçalves de Souza, coordenador estadual do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR).

24/3. Terça, 18h30.
Sesc 24 de Maio

 

SOBRE O PROGRAMA LIXO: MENOS É MAIS
Programa institucional de caráter educativo que estimula o envolvimento de diversos públicos – por meio de ações práticas – na busca por caminhos que promovam a sustentabilidade. Atua de maneira transversal na Instituição e promove diversas ações educativas que estimulam a reflexão sobre diferentes formas de consumo, a minimização e destinação responsável dos resíduos gerados nas atividades do Sesc, adotando princípios como a redução do uso de materiais de uso único e a geração de resíduos; a possibilidade de reutilização de materiais; a reciclagem e, por fim, a destinação responsável de todos os resíduos.

São promovidas ações educativas regulares com a temática do consumo e gestão de resíduos, como oficinas, cursos, palestras, vivências e visitas mediadas em diversas unidades do Sesc São Paulo.

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Claudê Lopes
Claudê Lopes
Baiano de Itiúba, radicado em São Paulo há mais de 30 anos. Repórter, Web Designer, Produtor e Editor de conteúdo, Consultor Musical, Roteirista, Redator e Diretor de programa de Televisão.
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