Peça Água Doce, da Cia da Tribo, leva à reflexão sobre rios soterrados de São Paulo

Com 30 anos de estrada e um trabalho de pesquisa em teatro baseado num profundo mergulho na cultura popular, a Cia da Tribo dá a partida em sua circulação por parques e CÉUS da Região Metropolitana de São Paulo, apresentando a peça de teatro para toda a família ÁGUA DOCE, unindo cultura , educação e meio ambiente.

Criada em 2018, a obra tem trajetória de sucesso: Melhor Espetáculo de Rua pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem na categoria Sustentabilidade. A companhia circulou por todo o Brasil, realizando aproximadamente 180 apresentações ao longo desses oito anos.

ÁGUA DOCE conta a história do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. O espetáculo trata da relação do homem com a água doce, a partir de quatro personagens – Iara, Abaré, Cacira e Xirú – que se aventuram para proteger os rios.

A dupla de diretores grupo dos diretores Milene Perez (atriz, artista educadora, autora, figurinista e produtora teatral ) e Wanderley Piras (ator, autor, artista educador e bonequeiro ) recorre a figuras da Cultura Popular brasileira para conscientizar o público sobre a imensidão de rios que circulam abaixo dos nossos pés. “Com este trabalho nós lançamos um olhar para os nossos rios, que apesar de escondidos, continuam lá e são referências históricas e culturais na identidade da cidade ”, afirmam Milene e Wanderley.

Segundo Milene, o processo de criação da peça ganhou força a partir de uma experiência em sala de aula. Ao realizar uma aula de artes com crianças em um parque, escutaram um aluno dizendo estar ouvindo o som de água corrente. A professora levantou uma tampa de bueiro e descobriram, junto com à turma, que abaixo deles corria um rio.

Todos nós ficamos olhando para ele e a experiência foi muito impactante, além de ter mudado a relação que aquelas crianças tinham estabelecido com os rios até então, que muitas vezes são tidos apenas como sujos ou causadores de enchentes”, conta a diretora. A partir desse fato, a Cia da Tribo buscou nas lendas e costumes dos povos ribeirinhos os elementos para a criação do trabalho.

Os bonecos, que representam figuras da cultura popular brasileira como Iara, a Mãe do Rio, Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu e Cobra Grande foram confeccionados pelo artista plástico Adriano Castelo Branco a partir de materiais reutilizáveis. “Os bonecos chamam tanta atenção que até deixamos eles à mostra do público depois das apresentações, criando uma espécie de exposição ao ar livre”, diz Milene.

Os artistas da Cia do Tribo fazem uso da linguagem poética para que o público perceba as questões que estão sendo tratadas. Uma das alegorias da peça é Iara, que exilada na pororoca (o encontro das correntes de um rio com as águas oceânicas) observa como a inveja e a ganância, podem fazer mal à natureza, matando os peixes e secando os rios.

São muitos os rios e córregos soterrados e retificados na cidade, como Anhangabaú, Ipiranga, Tamanduateí, entre outros”, contam Milene e Wanderley.

São rios caudalosos colocados em canos”, afirmam. Os artistas complementam que o processo de retificação é muito agressivo, pois os cursos dos rios são muito sinuosos e, para que eles cumpram uma rota específica, tiveram as margens cimentadas ou foram encanados, a partir de uma justificativa de erguimento da cidade.

Sinopse

A peça trata da relação do homem com a água doce, dando destaque aos rios brasileiros por meio do mito da Iara e de outros seres folclóricos presentes nas comunidades ribeirinhas. Com texto, cenografia, figurinos, trilha sonora e criação de bonecos originais, o espetáculo traz à tona rios, córregos e nascentes que foram esquecidos pela urbanização nas grandes cidades. A Cia da Tribo, com sua linguagem cênica voltada para a cultura popular em diálogo com a contemporaneidade, apresenta lendas e personagens brasileiros como Iara, a Mãe do Rio; Cabeça de Cuia; Jaguarão; Pirarucu; Cobra Grande, entre outros.

Sobre a Cia da Tribo

Fundada pelos artistas Milene Perez e Wanderley Piras, iniciou em 1996 o seu trabalho de pesquisa em teatro baseado num profundo mergulho na cultura popular. A sua linguagem cênica foi desenvolvida por meio do estudo de tradições populares, personalidades e corporeidades brasileiras. Histórias, músicas, danças e bonecos criados pelo povo em diversas regiões do país são investigados, apreendidos, recriados e trazidos à cena, construindo assim, uma teatralidade brasileira.

A Cia da Tribo é um grupo urbano, nascido numa megalópole é influenciado pela cultura popular, a contemporaneidade e o diálogo entre elas. Para ela, o regional e o urbano, bem como o passado e o presente, se encontram, atualizam memórias e transformam as possibilidades desse fazer artístico sempre numa relação de respeito e de profundo reconhecimento com as culturas dos povos originários

Nesses 30 anos de existência, o grupo tem 16 espetáculos em seu repertório, entre eles Dois corações e quatro segredos, que refaz a viagem de Mário de Andrade pelo interior do Brasil; Pé de Vento, inspirado nos poemas de Manoel de Barros; Zabumba, baseado na festa do Bumba-meu-Boi; Quixote Caboclo, inspirado nos poemas de Patativa do Assaré; entre outras montagens que conquistaram o público e crítica com suas releituras da cultura popular, trazendo este universo para a contemporaneidade.

Entre os prêmios conquistados pela Cia da Tribo, figuram o Prêmio Coca Cola Femsa de Melhor Diretor e Figurino por Dois Corações e Quatro Segredos, os Prêmios APCA e Mambembe de Melhor Atriz por Zabumba, além da indicação ao Prêmio Mambembe por Romance, entre outros.

Ficha Técnica

Texto e Direção: Milene Perez e Wanderley Piras.

Atuação: Alef Barros, Geovana Oliveira, Rafael Piras, Roberta Viana, Sora Senna e Wando Piras.

Bonecos: Adriano Castelo Branco.

Fotografia: Arô Ribeiro e Bruno Pucci

Trilha sonora: Rogério Almeida.

Operação de som: Alexander Nishiyama e Diogo Vieira.

Contrarregra: Gabriel Bueno e Marcelo Tonini.

Assistente de Produção : Rafael Pira

Produção: Cia da Tribo

Serviço

ÁGUA DOCE

Cia da Tribo

Livre | 50 minutos

Produção Executiva e Redes Sociais Cia da Tribo

Geovana de Oliveira

Contatos: (11) 98320-819

Site: www.ciadatribo.com.br | Facebook: www.facebook.com/CIADATRIBO

YouTube: www.youtube.com/CIADATRIBO_teatro | Instagram: www.instagram.com/ciadatribo

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