“Lucas Beat” o DJ que virou fenômeno ao unir romantismo a batidão de funk

Nascido no interior de São Paulo, Lucas Beat, vem diversificando e misturando as batidas de funk com “sofrência” e fazendo sucesso entre as redes socias, plataformas digitais e atraindo ídolos do sertanejo e forró, estourou hits como “Disco arranhado”, arrocha da baiana Malu, “Bloqueia eu”, modão dos sul-matogrossenses João Bosco & Vinícus, e “Vou falar que não quero”, forró do pernambucano Vitor Fernandes.

Versos suaves trombam com uma batida dura de funk. A vinheta identifica o autor da mistura: “D-J-Lu-cas-Beat”. A mistura inusitada funcionou. Aos 21 anos, músico começou usando músicas sem permissão e hoje é disputado por grandes artistas do forró e do sertanejo. Há parcerias na fila com Marcos & Belutti, Guilherme & Benutto e Daniel Caon.

Lucas Felipe Narcizo Silva gostava de música desde criança e, quando tinha 15 anos, sonhava em ser David Guetta. Ele morava com a mãe, empregada doméstica, em um conjunto habitacional do Minha Casa Minha Vida em Presidente Prudente (SP). “Sempre fui apaixonado por música eletrônica. Vi que tinha muito DJ de fora que trabalhava com isso, produzindo e tocando em festa. Vi nisso uma oportunidade de trabalhar“, lembra Lucas. Ele aprendeu a mexer no programa de produção musical FL Studio. “Eu não sabia nada do programa, mas fui aprender. Comecei a fazer minhas primeiras produções, que eram só música eletrônica mesmo, não tinha voz, não tinha nada. Era só a batida eletrônica, e, por sinal, muito ruim (risos). Nenhuma era boa“, ele admite.

Além disso, o plano de ser DJ atrapalhava no colégio. Lucas deu um tempo. Resignado em não ser um astro mundial da eletrônica, teve um estalo que o fez virar o Lucas Beat, de Presidente Prudente, Brasil: um carro passou em frente à sua casa tocando funk, e ele se tocou que conseguia fazer aquela batida.
Na época, eu nem me interessava muito por funk. Mas o carro apareceu tocando funk e o que eu achei interessante é que o ‘beat’ (batida) parecia muito com os elementos que eu usava na eletrônica. Falei: ‘Pô, acho que consigo reproduzir mais ou menos o ‘beat’ no programa“.

Lucas começou cobrando R$ 20 para criar bases de funk para MCs pela internet. Depois aumentou para R$ 40 e foi arrumando trabalhos. Com tanta insistência, foi crescendo a procura e o preço. Com 18 anos, ele já ganhava cerca de um salário mínimo com as produções para ajudar em casa.
Ele entrou para a produtora Mídia Hits e queria mais do que as encomendas. “Em 2020 eu comecei na “brisa’ de não só produzir os MCs, mas fazer uns ‘bagulhos’ pessoais, pegando músicas e fazendo remixes“, conta. A coisa começou a engatar e virar trilha para dancinhas no TikTok e no Instagram. Lucas pegou um eletrofunk antigo, de 2012, misturou com uma batida de funk em alta, o beat “magrão”, e ainda misturou uma introdução de “Otherside”, dos Red Hot Chili Peppers (sem autorização, claro). Ele viralizou com “Tuts tuts quero ver”, com Edy Lemond.

O DJ resolveu incluir no projeto de remixes outro estilo musical preferido dos carros que passam na frente de casa em Prudente. “Foi quando pensei nessa parada de juntar o sertanejo com o funk”. O primeiro remix que estourou foi “Na conta da loucura”, de Bruno e Marrone.

Sofrência e batidão
Nunca pensei que ia dar certo, porque era gosto meu. E acabou que em duas semanas já estava estourada no TikTok. Todo mundo gostou. A galera começou a pedir mais sertanejo com funk, dizendo que ficou massa. Eu nem pensava muito em fazer isso, mas a pedidos fui fazer“, diz.
Mas não era só sertanejo. Lucas remixou até “Amianto”, da banda de indie rock Supercombo, com uma letra muito triste que fala de suicídio, e botou a base de funk “mandelão”, a batida crua e popular nos bailes de rua.
Ele pegava as músicas sem pedir autorização dos autores. Em alguns casos, o dono da música original derrubava das plataformas. Mas as que ficavam faziam cada vez mais sucesso.
A galera brinca muito e comenta quando eu lanço um remix: ‘Tô chorando e tô dançando. Posso fazer as duas coisas ao mesmo tempo“.

Outro comentário comum nos vídeos dele é sobre o fato de serem funks sobre amor, sem palavrão, o que pode ajudar a ampliar o público e abrir mais portas para as músicas.
O tipo de funk de Lucas, que incorpora elementos da EDM (electronic dance music) não é um fenômeno isolado. Há alguns anos o funk brasileiro incorpora esse som dos DJs gringos. O principal estilo é a rave funk, que já atraiu até Anitta, mas tem como maior referência o DJ GBR.
Além de Anitta, outro músico que percebeu essa tendência e adaptou para o seu tipo de produção mais polida foi Alok. Ele emplacou o sucesso recente “Liberdade”, em parceria com GBR e MC Don Juan.
Nesse contexto, foi Lucas quem teve a sacada: por que não fazer como os DJs gringos e juntar vozes românticas com batidas arrasa-quarteirão? Foi o que ele pensou ao ouvir, em 2020, a jovem baiana Malu rodopiando entre caminhões e cantando o arrocha “Disco arranhado”.

Lucas mandou uma mensagem por Instagram para Malu, que topou a empreitada na hora e regravou o vocal para o remix. A mistura funcionou porque Lucas faz bases mais melódicas junto da batida agressiva do funk.

A versão da Malu já era hit no Nordeste e, com o remix de Lucas, os dois conseguiram o primeiro hit nacional de suas carreiras. O sucesso chegou até a Portugal. A faixa já chegou ao 1o lugar no YouTube português e 2o no Spotify no país europeu.
Lucas segue cheio de encomendas de sertanejos, e continua morando com a mãe na mesma casa em Presidente Prudente. “Não pretendo ir para a capital, não. Acho muita correria, muita doideira. Sou uma pessoa muito mais sossegada, tá ligado?“. Diz o Lucas.

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